Três estratégias
Muito do que se fala atualmente sobre intervenções nos riscos psicossociais foca fatores individuais, e não a organização do trabalho. É como se o empregado precisasse ser cada vez mais forte para aguentar tudo o que o trabalho impõe e, se não suporta, é porque não é “resiliente” o suficiente. A criação de um ambiente de trabalho saudável deve ter como base iniciativas organizacionais, em vez de focar o estresse individual.
Um artigo publicado no Journal of Healthcare Leadership sugere três ações que devem ser estimuladas para a melhoria dos fatores organizacionais. Elas não são as únicas, mas são um bom começo para as empresas que estão envolvidas na estruturação de estratégias de intervenção nas questões psicossociais.
Liderança de “porta aberta” e presença física: a presença dos líderes faz toda a diferença. Gestores que não apenas delegam, mas que estão fisicamente presentes no dia a dia, transmitindo confiança e agindo como facilitadores que removem obstáculos para sua equipe, são elementos-chave para dar contorno a um ambiente de trabalho favorável.
Gestão da mudança com
concordância e adesão prévias (“buy-in”):
mudanças precisam fazer sentido para quem as executa. Intervenções eficazes
exigem que a liderança obtenha o comprometimento e a adesão da equipe para
implementar novas rotinas. A comunicação e o envolvimento antecipados reduzem resistências,
criam o sentimento de que todos são “donos” do projeto e ajudam a identificar e
a abordar preocupações e obstáculos
antes que eles se tornem problemas maiores durante a implementação.
Cultura do diálogo interprofissional: o ambiente melhora quando se rompem as hierarquias tradicionais em favor de fóruns de discussão voluntários e inclusivos, onde a inovação é incentivada por todos. Dar voz é reconhecer a importância da equipe.
Artigo completo: Fernemark H et al. What Makes a Difference? Exploring Organizational Initiatives and Conditions for a Favorable Psychosocial Work Environment in Swedish Primary Healthcare. J Healthc Leadersh. 2025 Sep 22;17:477-492. doi: 10.2147/JHL.S533780