Programas de saúde bem planejados e bem executados são custo-efetivos. Isso vale para os programas de saúde corporativos, as operadoras de saúde suplementar e o sistema público. O bom planejamento inclui conhecer o perfil da população, dados demográficos e epidemiológicos, os fatores de risco de interesse e os recursos de saúde disponíveis para as ações de prevenção, tratamento e reabilitação. A boa execução passa pelo uso racional dos recursos, acompanhamento das intervenções e avaliação para a melhoria contínua.

É simples, mas não é fácil.

Um dos pontos que compromete o sucesso dos programas de saúde é a adesão da população-alvo. Estratégias de comunicação e educação em saúde nem sempre são suficientes para convencer os que mais precisam. Por isso, algumas empresas e operadoras de saúde quebram a cabeça para criar incentivos que aumentem a chance de os usuários participarem de ações de promoção da saúde ou de prevenção de doenças.

Acesso à rede diferenciada e especializada, coberturas ampliadas em relação aos contratos-padrão, serviços de monitoramento e de apoio especial podem ser caminhos possíveis. De tempos em tempos, a ideia de oferecer incentivos financeiros vem como uma tentativa de atrair os usuários de maior risco para os programas de saúde. Será que essa é uma alternativa viável?

Pesquisadores do Reino Unido publicaram na revista PLoS Global Public Health uma análise de dados quantitativos de ensaios clínicos randomizados da iniciativa Thrive at Work, que envolveu mais de 100 pequenas e médias empresas. Foram comparados os desfechos de saúde entre empregados que receberam incentivos financeiros para participar de programas de saúde e aqueles que não receberam. Os resultados revelaram que não há diferença significativa de participação entre os que recebem incentivos financeiros e os que não recebem.

Esse resultado reforça que a adesão aos programas de saúde e bem-estar nas organizações passa pela construção de uma cultura de saúde. Existem vários caminhos para essa construção, como a educação em saúde, a oferta de boa assistência com equipes qualificadas e, principalmente, a participação dos usuários.

Artigo completo: Edet A, Kudrna L, Quinn L. Impact of workforce characteristics and monetary incentives on uptake of health and wellbeing initiatives in the United Kingdom. PLOS Glob Public Health. 2025 Mar 17;5(3):e0003984. doi: 10.1371/journal.pgph.0003984.