Caminhar para o trabalho
Nas últimas décadas, as distâncias percorridas a pé ou por outras formas de transporte ativo (como bicicleta) ficaram cada vez menores, principalmente nas grandes cidades. Nos anos 1980, um adulto dava cerca de 10 mil passos diariamente. Atualmente (veja no aplicativo do seu smartphone), raramente chegamos a 6 mil passos diários.
Tudo bem, eu imagino que você faz algum esforço para organizar sua agenda e reservar tempo para o exercício físico programado, na academia ou ao ar livre. Isso é ótimo, e se você consegue fazer isso com regularidade, parabéns! Mas a atividade física incorporada ao dia a dia, como ir à padaria a pé em vez de pedir que um entregador faça isso por você, faz diferença na nossa busca por nos mantermos ativos. E o trajeto para o trabalho pode ser uma boa oportunidade para esse tipo de atividade.
Um estudo, publicado na revista Scandinavian Journal of Medicine & Science in Sports, com mais de 28 mil funcionários públicos da Finlândia, apresenta evidências interessantes. Os participantes foram convidados a responder um questionário e classificados de acordo com a distância estimada de deslocamento para o trabalho, a pé ou de bicicleta. Para caminhada, considerou-se como alto nível de atividade aqueles que acumulavam 16,5 km por semana. Faça as contas: para quem trabalha cinco dias por semana, isso equivale à distância de uma milha na ida e uma na volta, ou a 15 a 20 minutos em cada trecho. Para bicicleta, a maior classificação de atividade foi 35 km ou mais somados por semana. No grupo dos participantes classificados como alto nível de atividade, a taxa de absenteísmo no trabalho foi até 12% menor quando comparada aos que acumulavam distâncias menores. Para afastamentos prolongados do trabalho, o risco relativo foi até 18% menor.
Esses dados reforçam a orientação para que todos se mantenham ativos. Para as empresas, o estímulo para que seus empregados se habituem a algum tipo de transporte ativo pode ter impactos no absenteísmo e na percepção de bem-estar. A grande questão é que muitas cidades não oferecem condições seguras o suficiente para essa prática, o que deve estimular a discussão sobre políticas públicas.
Artigo completo: Kalliolahti E et al. Associations Between Active Commuting and Sickness Absence in Finnish Public Sector Cohort of 28 485 Employees. Scand J Med Sci Sports. 2024 Dec;34(12):e70001. doi: 10.1111/sms.70001.
