Dessa vez, o título parece até autoajuda. Mas a ideia do “always be relevant” está cada vez mais presente na nossa vida profissional, e vale a pena fazer algumas reflexões.

O mundo do trabalho é cada vez mais exigente e, muitas vezes, instável. Sustentar a própria carreira e garantir alguma segurança tornam-se tarefas adicionais no complexo ecossistema das organizações, além da necessidade de apresentar bons resultados. Essa dinâmica do mercado de trabalho pode causar estresse crônico e afetar profundamente a qualidade de vida e o bem-estar.

É possível descrever o always be relevant como a necessidade contínua de desenvolver habilidades excepcionais, manter uma forte rede de contatos, estar sempre disponível e ser percebido e reconhecido como um profissional confiável. Não se trata apenas de atuar bem, mas também se destacar em um mercado altamente competitivo.

Se é possível acrescentar uma camada a esse conjunto de exigências, inclua a necessidade de agir assim tanto nas relações diretas com colegas e pares quanto (e, às vezes, principalmente) nas redes sociais. A pressão constante de estar sempre em movimento e equilibrar diferentes projetos são fatores que poucos conseguem sustentar com a intensidade e constância que o mundo do trabalho exige. E, em algum momento, a conta (cara) do sofrimento mental pode chegar.

Pessoas mais experientes parecem ter a tendência (como mecanismo de proteção) de cultivar redes de apoio e compreender melhor as estruturas do mercado, enquanto pessoas menos experientes frequentemente relatam maior dificuldade em encontrar oportunidades para se destacar, o que aumenta a sensação de incerteza.

Você percebeu semelhanças entre essas características para “atuar” no mundo corporativo e o trabalho dos artistas? Não é coincidência: o artigo publicado na revista Arts & Health fez uma análise qualitativa com atores na Noruega e a questão do “manter-se relevante” mostrou todas essas características, que se encaixam muito bem no universo das organizações. Ao que parece, estamos fazendo o mesmo no nosso “teatro corporativo”.

Artigo completo: Sørensen KL, Hald N, Olsen RM, Ørjasæter KB. "Always be relevant": a phenomenological study of the actor's workday. Arts Health. 2024 Oct 30:1-14. doi: 10.1080/17533015.2024.2420822.