As empresas podem fazer muito pela saúde e pelo bem-estar de seus funcionários. As equipes de saúde das organizações ocupam uma posição privilegiada para identificar, orientar e tratar grande parte dos problemas de saúde que acometem a população em idade produtiva. Entre os principais agravos, destacam-se as questões relacionadas à saúde mental, em especial o transtorno de ansiedade.

Algum nível de ansiedade pode ser considerado aceitável quando compatível com os recursos individuais para lidar com essa condição e, nesses casos, pode até desempenhar um papel adaptativo. O problema surge quando a ansiedade ultrapassa essa linha, sendo então considerada um transtorno do ponto de vista clínico. Quando isso acontece, é necessário procurar um profissional de saúde para que seja estabelecido um plano de ação e manejo.

A prevalência dos transtornos de ansiedade tem aumentado nos últimos anos, e este tema já foi abordado em um artigo publicado neste espaço. O Brasil apresenta as maiores taxas de incidência e prevalência, com um aumento mais acelerado do número de casos em comparação a outros países, maiores níveis de incapacidade, e afeta pessoas cada vez mais jovens. Então, não é por acaso que você tem percebido mais pessoas ansiosas na sua empresa e fora dela.

Alguns casos de transtornos ansiosos requerem tratamento medicamentoso, prescrição e acompanhamento especializado. No entanto, este não é o único recurso: a psicoterapia ocupa um lugar de destaque, tanto no manejo inicial quanto no seguimento clínico.

Um estudo publicado na Revista da Associação Médica Americana (JAMA) reuniu dados da literatura para verificar qual o tipo de psicoterapia é mais eficaz na abordagem das pessoas com transtorno de ansiedade generalizada. Os diversos tipos de psicoterapia foram comparados com o que os autores denominaram “abordagem usual”, que consistia na orientação de um profissional de saúde, fornecimento de material informativo e na possibilidade de o paciente buscar livremente recursos de tratamento disponíveis na comunidade. Ou seja, algo muito semelhante ao que o empregado pode encontrar em uma visita ao ambulatório da empresa, no contato inicial com o provedor de programa de apoio ao empregado (EAP) ou no setor de recursos humanos.

O estudo mostrou que a Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) superou a abordagem usual e demonstrou maior eficácia a longo prazo, algo não observado em outros tipos de psicoterapia. Os autores recomendam que a TCC seja considerada uma escolha de primeira linha para o tratamento do transtorno de ansiedade generalizada.

Na prática, os serviços de saúde e outros sistemas de apoio oferecidos pelos empregadores devem estar preparados para realizar a orientação inicial, preferencialmente incluindo a sugestão da TCC como método terapêutico. Uma alternativa a ser considerada é a disponibilização de psicólogos treinados em TCC nos ambulatórios das empresas, garantindo maior força de multidisciplinaridade nos cuidados de saúde e bem-estar. Outra opção é ter profissionais de referência no contexto de uma rede de confiança para o encaminhamento externo que garanta uma abordagem baseada em evidências.

Artigo completo: Papola D et al. Psychotherapies for Generalized Anxiety Disorder in Adults: A Systematic Review and Network Meta-Analysis of Randomized Clinical Trials. JAMA Psychiatry. 2024 Mar 1;81(3):250-259. doi: 10.1001/jamapsychiatry.2023.3971.

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