No mundo do trabalho, as interações sociais são essenciais. Trocar ideias, sugerir caminhos, incentivar e encorajar colegas e liderados é a base para o crescimento das pessoas e das organizações. Dar e receber feedback são fundamentais para o aprendizado de habilidades, mas fazê-lo de forma construtiva é uma competência que precisa ser desenvolvida. Pense por um minuto: será que você tem oferecido e recebido feedback com qualidade suficiente para o seu crescimento e dos que estão à sua volta?

Um experimento conduzido por pesquisadores da Universidade de Oxford e da Universidade de Paris ilustra os efeitos do feedback e pode servir para o nosso desenvolvimento pessoal e profissional. Os voluntários eram submetidos a um teste simples: um estímulo visual era projetado em uma tela de forma intermitente, tanto na duração como na frequência. A pessoa era orientada a acionar a barra de espaço de um teclado durante todo o tempo em que o estímulo visual ficasse presente na tela e a soltar a barra quando ele desaparecesse. A instrução dada aos participantes era que o desempenho seria quantificado pelo tempo de resposta e pela duração adequada da preensão da barra do teclado. Quem já usou jogos eletrônicos musicais que simulam um instrumento ou coordenam passos de dança em um piso especial deve ter notado a semelhança na dinâmica do experimento.

Mas o desfecho estudado não era a capacidade de acertar mais ou ser mais eficiente no acionamento do teclado. Para cada vez que o participante acionava e soltava a tecla, ele recebia um feedback imediato sobre o seu desempenho, que poderia ser positivo ou negativo. A mensagem era algo como “você foi bem” ou “você não foi bem”. Em seguida, o voluntário deveria decidir se continuaria naquele mesmo teste ou se preferia passar para um outro e desistir daquela atividade. Todos os voluntários tiveram o traçado de eletroencefalograma registrado durante os testes.

Tanto a autopercepção do desempenho quanto o tipo de feedback recebido influenciaram a decisão de persistir ou abandonar o teste. Feedbacks negativos influenciaram mais fortemente a decisão de desistir e passar para a próxima atividade. Quando o feedback era mais positivo, a decisão do voluntário em continuar naquela atividade foi tomada levando mais em consideração a própria percepção de êxito e sucesso no desempenho da tarefa. Em outras palavras, feedback positivo leva você a tomar decisões mais baseadas na sua percepção de boa performance; feedback negativo faz você desistir mais facilmente, independentemente de achar que estava no caminho certo.

É claro que não estamos falando de pontinhos luminosos em uma tela, mas em como nos comportamos no mundo do trabalho e fora dele. Valorizamos o que nossos pares, chefes, amigos e parentes pensam sobre o que fazemos e como fazemos. Por isso, vale a regra de cautela quando oferecemos ou recebemos algum feedback: quando ele é positivo pode se transformar no motor para o crescimento e desenvolvimento. Quando ele é negativo, pode encerrar precocemente ideias e projetos que poderiam ser promissores. Dar feedback é uma habilidade e uma arte no relacionamento humano; fica o convite para aperfeiçoar essa competência.

Artigo completo: Chung WY, Darriba Á, Yeung N, Waszak F. Give it a second try? The influence of feedback and performance in the decision of reattempting. Cognition. 2024 Jul;248:105803. doi: 10.1016/j.cognition.2024.105803.