Você sai da cadeira quando sua empresa incentiva?
Se você trabalha em um escritório, provavelmente passa mais de 75% do tempo sentado. O comportamento sedentário é um problema de saúde pública, e nosso estilo de vida tem reduzido o nível de atividade, dentro e fora do trabalho. Esse comportamento está associado ao desenvolvimento de diversas doenças crônicas, desconfortos musculoesqueléticos e até depressão, por isso, empresas responsáveis estão interessadas em criar meios para reduzir o sedentarismo entre seus funcionários.
A pergunta é: quando as organizações favorecem a redução do comportamento sedentário nos escritórios, os empregados tendem a sair mais da cadeira ou mantêm o padrão anterior?
Um artigo publicado na revista Public Health, com uma revisão sistemática e meta-análise de 24 estudos mostra números interessantes sobre o tema. Foram considerados três níveis de intervenção no local de trabalho. Um deles foi a modificação do ambiente de trabalho, com disponibilização de mobiliário que permitisse alternar postura entre pé ou sentado, ou fazer exercícios simultaneamente, estratégia que abordamos em outro texto publicado neste espaço. Outro tipo de intervenção foi baseado em estratégias motivacionais, incluindo apoio individual e social para iniciar, manter ou aumentar o estímulo para reduzir o tempo sentado, como feedback positivo ou desafios. A terceira estratégia foi de educação para a saúde, melhorando o entendimento dos empregados sobre os danos causados pelo estilo de vida sedentário, com palestras, oficinas e acesso a materiais informativos.
O resultado foi que oferecer alguma forma de incentivo, de qualquer natureza, isoladamente ou de forma combinada, promoveu uma redução do tempo sentado da ordem de 38 minutos ao dia entre os trabalhadores estudados. Houve limitações para comprovar os desfechos secundários, como os impactos na redução do desenvolvimento de doenças crônicas. Essa dificuldade é compreensível, pois são necessários estudos com desenhos específicos, geralmente mais longos e complexos. Além disso, pessoas que são incentivadas a reduzir o comportamento sedentário no trabalho podem modificar suas rotinas fora dele, o que é desejável do ponto de vista da saúde pública, mas dificulta a análise dos efeitos atribuíveis exclusivamente às intervenções no local de trabalho.
A lição é: qualquer incentivo é melhor do que nenhum, com a cautela de que sejam bem planejados e inseridos em um contexto de cultura de saúde nas organizações.
Artigo completo: Wang C et al. Effectiveness of interventions on sedentary behaviors in office workers: a systematic review and meta-analysis. Public Health. 2024 May;230:45-51. doi: 10.1016/j.puhe.2024.02.013.
