Jack Groppel e seus colegas da Next Integrative Minds Life Sciences de Toronto, no Canadá, publicaram algumas ideias no American Journal of Health Promotion que merecem ser compartilhadas. O título do artigo é “Aplicando a Neuroalfabetização para melhorar o bem-estar no local de trabalho”, e vale a leitura integral do texto, cuja referência está disponível no final deste artigo.

Muitos de nós têm dificuldade para lidar com as exigências cada vez maiores da vida. O tempo parece nunca ser suficiente e, ao final do dia, temos a sensação de que sempre faltou alguma coisa importante para ser concluída. No desejo de aumentar a produtividade, recorremos a ferramentas de tecnologia para tentar encaixar mais tarefas no tempo disponível. Para aliviar a sensação da falta de tempo e de cuidados para si, procuramos mais recursos tecnológicos que proporcionem sensação de bem-estar. Não é à toa que atualmente existem mais de 350 mil aplicativos para “soluções” em saúde mental.

Nossos cérebros não foram feitos para a informação contínua que inunda nosso dia a dia. A boa notícia é que o cérebro tem a capacidade de mudar e se adaptar de forma fantástica, ao que chamamos de neuroplasticidade. Funciona mais ou menos assim: diante de uma situação ou estímulo novo, os neurônios mudam parte de sua estrutura e arranjo para oferecer uma resposta mais adaptada àquele desafio, e assim o cérebro vai moldando novos circuitos. Se a resposta foi favorável, reforçamos o comportamento ou a habilidade nova; se não for, suprimimos aquela resposta e continuamos a produzir novas alternativas.

De certa forma, ter consciência de que nosso cérebro tem o atributo da neuroplasticidade abre grandes possibilidades para um processo de metacognição, ao que os autores do artigo chamaram de neuroalfabetização. Segundo eles, “a neuroalfabetização é uma forma de alfabetização projetada para capacitar a aplicação prática da neuroplasticidade na vida diária”. É claro que não temos a capacidade de direcionar ou comandar diretamente as reações biológicas de transformação das nossas funções cerebrais, mas com a neuroalfabetização “podemos aprender a nos conhecer e compreender nossos pensamentos, emoções, sensações corporais e comportamentos em um nível íntimo”.

Os autores acreditam que ao instruir os trabalhadores sobre os mecanismos de funcionamento cerebral, eles serão capazes de se entender em um nível mais profundo, o que pode fazer com que conheçam mais seu próprio valor e respeitem o valor dos seus colegas de equipe. Fica a sugestão para que as organizações experimentem adotar ações nessa frente em seus programas de saúde e treinamento corporativo.

Referência: Groppel J, Purpur de Vries P, Thomas D. Applying Neuro-Literacy to Improve Workplace Well-Being. Am J Health Promot. 2024 May;38(4):584-586. doi: 10.1177/08901171241232042c.