Como você gostaria que o seu cérebro envelhecesse? Essa pergunta causa um pouco de estranhamento e incômodo, mas ela é fundamental para algumas decisões sobre nossa saúde que precisam ser tomadas “as soon as possible”, para usar um termo do mundo do trabalho. Este texto vai destacar as ideias do editorial publicado pela Dra. Mary Imboden no American Journal of Health Promotion, cuja referência está disponível no link ao final deste artigo.

A população com mais de 65 anos aumentou em mais de um terço desde 2010, e a busca por um envelhecimento saudável (ou bem-sucedido, na tradução livre do termo em inglês) tornou-se um tema relevante tanto para as pessoas quanto para as políticas de saúde pública. Na década de 80, MacArthur descreveu que o envelhecimento bem-sucedido inclui estar livre de incapacidades, ter habilidades cognitivas e físicas preservadas e interagir com outras pessoas de maneira significativa. Pessoas mais velhas descrevem o envelhecimento saudável como a capacidade de manter-se produtivas, mentalmente capazes e em condições de fazer o que é importante pelo tempo que puderem.

A manutenção da função cognitiva é um componente importante para determinar o envelhecimento bem-sucedido, devido ao impacto significativo nas atividades da vida diária e na capacidade de viver de forma independente. Atualmente, sabe-se que o comportamento e o estilo de vida têm mais influência na saúde do cérebro do que a genética.

Vários fatores de risco modificáveis ligados às doenças cardiovasculares são intimamente associados à saúde do cérebro, como tabagismo, atividade física, alimentação saudável, controle do peso, pressão arterial, colesterol e da glicemia. Obesidade, diabetes tipo 2 e tabagismo estão associados a aumento de até 78% no risco de demência. Sono de qualidade e boas relações sociais entram nessa equação como fatores de proteção.

As organizações podem e devem aproveitar os conhecimentos da neurociência para desenvolver políticas e programas que promovam ambientes de trabalho mais saudáveis. Uma pesquisa do Center of Brain Health da Universidade do Texas sugere que oferecer aos empregados espaços que permitam concentração profunda com pouca ou nenhuma interrupção, ambientes colaborativos e que permitam a redução do estresse contribui como fator de proteção para a saúde do cérebro.

A promoção de ambientes de trabalho seguros, incluindo a segurança psicológica, e hábitos saudáveis pode contribuir para a saúde do cérebro a médio e longo prazo. São bons motivos para incentivar programas de saúde direcionados para essas questões.

Referência: Imboden M. Maintaining Brain Health: An Imperative for Successful Aging and Business Performance. Am J Health Promot. 2024 May;38(4):576-589. doi: 10.1177/08901171241232042.