Saindo da cadeira: esteira e outras opções na estação de trabalho
Você já deve ter ouvido falar: a cadeira é o novo cigarro. Não há dúvida de que longos períodos em posição sentada no escritório trazem diversos prejuízos à saúde. Dores no pescoço, na região lombar e inchaço nos pés são apenas alguns dos desconfortos que talvez você esteja sentindo agora. Mas os danos cardiovasculares silenciosos decorrentes da obesidade e do sedentarismo fazem a comparação entre o tempo sentado no trabalho e o tabagismo realmente fazer algum sentido.
A regra geral é que seja possível alternar a postura e inserir movimento no dia a dia. Nem todos conseguem colocar em prática essas orientações: é simples, mas não é fácil. Reuniões prolongadas, tarefas que exigem mais atenção, prazos curtos para entregas, e pronto, lá estamos nós, duas ou três horas sentados, sem levantar.
Algumas empresas têm adotado alternativas em seus escritórios. Estações de trabalho que permitem o trabalho em esteira ou bicicleta ergométrica adaptadas ao uso do computador fazem a cadeira ficar de lado. A pergunta é: essas medidas são efetivas ou são apenas formas de aliviar alguma sensação de “culpa” pelo sedentarismo no trabalho que nos impusemos ao longo dos anos?
Um estudo publicado na Frontiers in Public Health lança alguma luz sobre essa questão. Os pesquisadores reuniram resultados de estudos sobre o non-exercise activity thermogenesis (NEAT) nos ambientes de trabalho, buscando desfechos das alternativas de trabalhar em estação em pé, sentado em bola de ginástica e com esteira ou bicicleta ergométrica em relação ao trabalho sentado em cadeira.
Os autores destacam alguns prós e contras de cada uma das alternativas. O trabalho em estação em pé permite uma queima calórica adicional e ajuda a manter o tônus muscular; porém, pode aumentar o risco de dores nas costas e de insuficiência vascular nos membros inferiores de pessoas predispostas. O trabalho com bicicleta ergométrica permite uma queima calórica maior, mas prejudica a habilidade de movimentos finos, como o uso do mouse do computador. A caminhada em esteira melhora a composição corporal e os níveis de açúcar e gordura do sangue, mas aumenta o tempo necessário para cumprir as tarefas do trabalho e compromete algumas habilidades cognitivas durante a execução do exercício. O uso da bola de ginástica como assento favorece a ativação muscular e a postura, no entanto causa desconforto ao longo da jornada de trabalho, limitando essa alternativa a períodos curtos.
Nenhuma dessas alternativas substitui a necessidade da atividade física regular fora do trabalho. Mas elas podem ser recursos interessantes se disponibilizadas para uso voluntário, respeitando as preferências dos empregados e as características do trabalho. As equipes de saúde e segurança do trabalho são elementos-chave para a discussão e tomada de decisão pela alta liderança das organizações.
Artigo completo: Rizzato A, Marcolin G, Paoli A. Non-exercise activity thermogenesis in the workplace: The office is on fire. Front Public Health. 2022 Oct 28;10:1024856. doi: 10.3389/fpubh.2022.1024856
