Ter tempo e dedicação para atividades prazerosas de lazer como leitura, jogos, arte, esportes ou viagens tem sido um desafio para muitas pessoas. Em um cenário em que a produtividade e o engajamento no trabalho são cada vez mais exigidos, ter algum hobby acaba sendo um assunto frequentemente deixado para depois.

Os hobbies podem proporcionar o aumento das emoções positivas, relaxamento, pertencimento, estimulação cognitiva e socialização. Além dos comportamentos saudáveis tradicionais (bons hábitos alimentares ou não fumar, por exemplo), o engajamento em hobbies tem sido objeto de estudos como um fator de melhoria da saúde física e bem-estar.

Um estudo com mais de 55 mil adultos mostrou que ter hobbies pode ser um fator associado à redução do risco de doença cardiovascular. Os participantes foram acompanhados por cerca de 20 anos, comparando aqueles que não tinham nenhum hobby com as pessoas que tinham um ou mais hobbies. Os desfechos considerados foram o infarto do miocárdio, a morte súbita cardíaca e os acidentes vasculares cerebrais (AVC). Os resultados foram que ter algum hobby reduz em 10% o risco da incidência de doença cardiovascular, especialmente o AVC. Para as pessoas que se dedicavam a muitos hobbies, a redução do risco foi de 20%.

Poucos estudos com esse desenho (coorte prospectiva) se dedicaram a avaliar o papel dos hobbies na saúde, sobretudo para os eventos cardiovasculares, com um número tão grande de pessoas por um período longo. Os pesquisadores levantam a hipótese de que o sofrimento psíquico aumenta a frequência cardíaca, eleva os níveis de pressão arterial, causa disfunção do endotélio e aumento dos níveis de cortisol, de modo que a dedicação a passatempos de qualidade reduz esses fatores que aceleram a ocorrência das doenças cardiovasculares. Não é possível estabelecer uma relação de causa definitiva, mas a associação se mostrou plausível.

Os serviços médicos das organizações podem ter um papel importante na educação em saúde para que os trabalhadores tenham hobbies. Essa pode ser não só uma medida primária de prevenção de doenças, mas também um fator de melhora da qualidade de vida. Um caminho possível é que as equipes de saúde dediquem tempo aos trabalhadores (por exemplo, no exame periódico de saúde) para buscar meios e alternativas reais de engajamento, assim como já fazem para outros elementos relacionados à mudança do estilo de vida.

Artigo completo: Wang X e al. Having hobbies and the risk of cardiovascular disease incidence: A Japan public health center-based study. Atherosclerosis. 2021 Oct;335:1-7