Perda de peso e despesas médicas
A obesidade é um fator de risco para várias condições médicas crônicas. Diabetes, doenças cardiovasculares e depressão são alguns exemplos. Além de todos os prejuízos na qualidade e na expectativa de vida, pacientes obesos recorrem aos serviços de saúde com mais frequência e por motivos mais graves, o que aumenta os custos da assistência médica.
O sofrimento individual gerado pelas consequências da obesidade é a principal preocupação e foco de todo cuidado em saúde. Mas os custos financeiros são, em última análise, divididos por toda a sociedade, seja em sistemas públicos ou privados de saúde, de maneira que é responsabilidade de todos fazer o recurso ser utilizado da melhor forma gerando os melhores resultados para a coletividade.
Um grupo de pesquisadores analisou dados de mais de 20 mil pessoas obesas por um período de dois anos. Foram analisados os dados de despesas médicas dos pacientes que tiveram alguma perda de peso e comparados com o custo conhecido quando as pessoas mantêm o nível de obesidade. Os custos eram relacionados a atendimentos gerados por diabetes, hipertensão, alterações do colesterol, transtornos da saúde mental, distúrbios pulmonares, problemas articulares e dor nas costas. Os atendimentos incluíam visitas em consultórios, pronto-socorro, uso de medicamentos, serviços de saúde domiciliares ou internação hospitalar.
No geral, para as pessoas que perderam peso ao longo do primeiro ano do estudo, houve economia de 20% em despesas médicas no ano seguinte. A economia esperada associada à perda de peso variou de acordo com a condição crônica, sendo maior para problemas articulares (41%) e diabetes (34%). O estudo foi capaz de concluir que para cada uma unidade de IMC (índice de massa corporal) perdida, eram poupados setecentos e cinquenta e dois dólares ao ano entre os obesos hipertensos. Para todas as condições crônicas, quanto maior foi a perda de peso, maior foi a redução das despesas totais de saúde esperadas.
Considerando a crescente prevalência da obesidade no Brasil, as equipes e gestores de saúde estão diante de uma grande oportunidade para promover impacto na melhoria dos custos assistenciais. Não se trata somente da melhoria de uso dos recursos, mas nos benefícios na qualidade de vida, longevidade e produtividade. Os sistemas de saúde públicos e privados precisam garantir sua sustentabilidade e as equipes de saúde nas organizações têm um papel fundamental nesse aspecto.
Artigo completo: Thorpe K, Toles A, Shah B, Schneider J, Bravata DM. Weight Loss Associated Decreases in Medical Care Expeditures for Commercially Insured Patients With Chronic Conditions. J Occup Environ Med. 2021 Oct 1;63(10):847-851
