A ansiedade é o transtorno mental mais comum em todo o mundo. As pessoas que sofrem de transtornos de ansiedade experimentam medo excessivo, preocupações exageradas, falta de controle sobre pensamentos e atitudes, o que gera sofrimento e incapacidade. Uma em cada quatorze pessoas têm critérios diagnósticos para ansiedade. Infelizmente, transtornos mentais como a ansiedade não costumam ser prioridade na alocação de recursos de saúde, quando comparado, por exemplo, aos recursos destinados para doenças cardiovasculares ou câncer.

O Global Burden of Disease (GBD) é um grande estudo epidemiológico colaborativo presente em mais de duzentos países que analisa diversas causas de adoecimento e morte há várias décadas. Pesquisadores reuniram os dados dos últimos 30 anos para verificar a incidência, prevalência e o número de dias perdidos por incapacidade relacionada aos transtornos de ansiedade em todo o mundo, incluindo dados do Brasil.

Em números absolutos, o número de pessoas diagnosticadas com ansiedade no mundo saltou de 31 para quase 46 milhões entre 1990 e 2019. Porém, quando os dados foram corrigidos por grupo de 1000 habitantes, a variação anual foi baixa. O acumulado de pessoas com ansiedade por grupo de 1000 habitantes também se manteve estável no período, considerando a média mundial.

Porém, a incidência e prevalência dos transtornos de ansiedade não se distribui de maneira uniforme entre os países. O Brasil está no grupo de países com maiores taxas de incidência (8 casos por grupo de 1000 habitantes) e prevalência (60 a 80 por 1000), além da maior variação anual desses parâmetros (cerca de 1% ante os 0,02% da média mundial), incluindo o número de dias perdidos por incapacidade.

O estudo também concluiu que a ansiedade tem se manifestado em pessoas cada vez mais jovens o que aumenta as chances de recaídas e múltiplos episódios ao longo da vida. Entre mulheres, os casos de ansiedade e suas repercussões na vida em geral foram maiores quando comparado aos homens.

Esses dados trazem o alerta para que se invista em medidas preventivas. Mudança do estilo de vida, promoção de exercícios físicos e dieta saudável, eliminação de gatilhos da ansiedade (como cafeína e nicotina), cuidados com a qualidade do sono, além do tratamento baseado na psicoterapia e medicamentos quando indicados são ferramentas importantes para a prevenção dos transtornos ansiosos. Os serviços médicos das empresas têm um papel fundamental em todas essas frentes.

Artigo completo: Yang X et al. Global, regional and national burden anxiety disorders from 1990 to 2019: results from the Global Burden of Disease Study 2019. Epidemiology and Psyciatric Sciences 30, e36, 1-11, 2021