A infertilidade é frequente entre adultos jovens. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), um em cada cinco casais tem ou terá dificuldade na gravidez. Estudos mostram que pouco mais de 10% das mulheres têm infertilidade secundária, por isso é importante identificar os fatores de risco para essa condição.

A exposição a fatores de risco no ambiente de trabalho pode provocar efeitos diversos na capacidade reprodutiva das mulheres. Morte fetal, infertilidade, retardo no crescimento intrauterino, parto prematuro são alguns desses efeitos. Além disso, sabe-se que longas horas de trabalho aumentam o risco de prematuridade, bebês de baixo peso e até pré-eclâmpsia.

Estudo divulgado em julho na revista Safety and Health at Work com mais de cinco mil mulheres coreanas em idade fértil demonstrou uma associação entre longas jornadas de trabalho e infertilidade. Para as mulheres mais jovens, as razões de chance de infertilidade associadas a trabalhar mais do que 52 horas por semana foram em torno de 1,9.

Diversas hipóteses podem ser levantadas para explicar essa associação. Longas horas de trabalho podem causar distúrbios do sono e reação ao estresse, o que pode interferir no sistema reprodutor por causa de alterações hormonais. O estresse afeta do eixo hipotálamo-hipófise, provocando desequilíbrio no hormônio luteinizante, cortisol e ocitocina o que altera o comportamento sexual e a função das gônadas. Além disso, fatores associados ao relacionamento do casal podem ser impactados por jornadas de trabalho excessivas, diminuindo a frequência das relações sexuais, favorecendo emoções negativas, depressão e influenciando no planejamento de ter filhos.

No contexto atual das relações de trabalho, em que são cada vez mais frequentes as jornadas sem limites claros de início e de fim, essa associação vem se somar ao alto custo que as mulheres pagam para permanecer no mercado de trabalho.


Artigo completo em: www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2093791121000585